quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Constante Inquietude




Não é necessário ser um grande observador,

Muito menos vidente,

Todos veem nos meus olhos

Que existe um anseio que nem eu mesmo consigo explicar.



Algo inconsciente existe,

Ou que conscientemente forço em deixá-lo adormecido.



Me intriga,

Absorve-me,

Leva aos poucos a esperança de dias melhores,

Ao menos diferentes do hoje.



Por que então ser indiferente a este sentimento?



Talvez,

Na esperança que este desapareça,

Que o tempo me traga as respostas,

De dúvidas inquietantes,

Da completude do que me falta.



Torno-me repetitivo,

Dia após dia.



Fico a espera,

Dono de uma esperança até então inabalável,

Concreta e inquestionável.

Na expectativa, de que ao fim deste devanear

O final seja feliz.



Contudo,

O que claramente se mostra,

Não é o final desejado,

Mas sim o esperado.



Este, desejo dos observadores,

Curiosos,

Maldosos,

Inquietos.



O esperado não me cabe,

Não me conforta,

Só me entristece.



Busco o diferente,

O inatingível.



Aos olhos dos outros,

Este caminho tortuoso.

Aos meus,

Não é desmotivador,

Tampouco inatingível,

Torna-se objetivo

A partir do momento que demonstro querer.



O que todos esperam é o que quero que nunca aconteça.

Entretanto,

Ainda existe um anseio que nem eu mesmo consigo explicar.



Este sentimento,

Rouba-me expectativas,

Rouba-me pensamentos lindos,

Vibrantes,

Rouba-me sonhos.



Sonho diário,

Que no amanhã tudo será pouco comum,

A igualdade tornar-se-ia diferenças,

Os tons Cinza transformar-se em vermelho,

Enfim, o todo apresentar-se menos triste,

Ou menos conformado.



Mais algo me diz que não vai ser assim,

Ou pelo menos não tão rápido.



Muito desta inquietude

É culpa do tempo,

Tempo este que duplamente me desampara,

Pois as horas ao lado são segundos,

Mas os segundos na ausência é a eternidade.



Tempo que não me deixa escolha,

Pois quanto mais se passa o tempo

Meus sonhos,

Tornam-se mais sonhos,

Nunca realidade.



O fato é,

Existe um anseio que nem eu mesmo consigo explicar.



Tudo que poderia expressar

Já foi transmitido,

A reciprocidade esperada,

Existe.



Esta se apresenta de forma estimulante,

Que me surpreende a cada dia,

Que me faz desejar,

Pensar,

Querer,

Uma só pessoa,

Um só sonho,

Uma só realidade.



Entre tantas escolhas,

Uma só me basta.



Mais eis que o anseio que nem mesmo eu sei explicar,

Não desaparece.



Muitas vezes o caminho para se chegar a um ideal,

Pode, ou deve ser atribulado.

A meu ver,

Para que as pessoas valorizem suas conquistas.

Que estas, aprendam

Que o real valor do viver, esta na escalada,

Não somente na bela vista de cima da montanha,

Existe uma completude,

Pois a bela paisagem final

É a recompensa da força destinada à chegada.



Luto dia após dia,

Para que o esforço de cada centímetro,

Pedra,

Barreiras superadas,

Não sejam em vão.



O que se construiu,

Não pode transformar-se apenas em lembranças.

Talvez seja esse meu anseio até então,

Inexplicável.



O medo de ter lutado contra tudo,

Contra todos,

Contra meus próprios anseios

E ao final descobrir

Que estava lutando sozinho.


“Acreditar em algo e não vivê-lo é desonesto.”
[Mahatma Gandhi]

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